"E fomos durante alguns meses
Dois ingredientes de uma receita
Fomos duas flores distintas no mesmo vaso
E tudo tem seu tempo
Tanto o doce como o amargo
Não há pena nem glória
Que um dia não se acabe"
[Maria Rita - Mal Intento (Jorge Drexler)]
sábado, 27 de setembro de 2008
domingo, 21 de setembro de 2008
"eu,
modo de usar:
pode invadir ou chegar com delicadeza,
mas não tão devagar que me faça dormir.
não grite comigo que tenho o péssimo hábito de revidar.
acordo pela manhã com ótimo humor,mas permita que eu escove os dentes primeiro.
toque muito em mim, principalmente nos cabelos e minta sobre a minha nocauteante beleza.
tenha vida própria, me faça sentir saudades, conte umas coisas que me façam rir.
mas não me conte piadas.
nem seja preconceituoso, não perca tempo cultivando esse tipo de herança dos seus pais.
viaje antes de me conhecer, sofra antes de mim para reconhecer-me um porto, um albergue da juventude.
eu saio em conta, você não gastará muito comigo.
acredite nas verdades que digo e nas mentiras (elas serão raras e sempre por uma boa causa).
respeite meu choro, me deixe sozinha, só volte quando eu chamar e não me obedeça sempre que eu também gosto de ser contrariada. (então fique comigo quando eu chorar, combinado?)
seja mais forte que eu e menos altruísta.
não se vista tão bem, gosto de camisas para fora da calça, gosto de braços, gosto de pernas e muito de pescoço.
reverenciarei tudo em você que estiver a meu gosto:
boca, cabelo, os pêlos do peito e um joelho esfolado.
você tem que se esfolar às vezes, mesmo na sua idade.
leia, escolha seus próprios livros, releia-os.
odeie a vida doméstica e os agitos noturnos.
seja um pouco caseiro e um pouco da vida, não de boato que isso é coisa de gente triste.
não seja escravo da televisão, nem xiíta contra.
nem escravo meu, nem filho meu, nem meu pai.
invente um papel pra você que ainda não tenha sido preenchido.
e o inverta às vezes, me enlouqueça uma vez por mês.
me faça uma louca boa, uma louca que ache graça e tudo que rime com louca: loba, boba, rouca, boca.
goste de música e de sexo.
goste de um esporte não muito banal.
não invente de querer muitos filhos, me carregar para missa, apresentar sua família,... isso a gente vê depois, se calhar.
deixe eu dirigir seu carro, aquele carro que você adora.
quero ver você nervoso, inquieto.
olhe para outras mulheres, tenha amigos e digam muita besteira juntos.
não me conte seus segredos, me faça massagem nas costas.
não fume, beba, chore, eleja algumas contravenções, me rapte e se nada disso funcionar experimente me amar."
[Martha Medeiros]
modo de usar:
pode invadir ou chegar com delicadeza,
mas não tão devagar que me faça dormir.
não grite comigo que tenho o péssimo hábito de revidar.
acordo pela manhã com ótimo humor,mas permita que eu escove os dentes primeiro.
toque muito em mim, principalmente nos cabelos e minta sobre a minha nocauteante beleza.
tenha vida própria, me faça sentir saudades, conte umas coisas que me façam rir.
mas não me conte piadas.
nem seja preconceituoso, não perca tempo cultivando esse tipo de herança dos seus pais.
viaje antes de me conhecer, sofra antes de mim para reconhecer-me um porto, um albergue da juventude.
eu saio em conta, você não gastará muito comigo.
acredite nas verdades que digo e nas mentiras (elas serão raras e sempre por uma boa causa).
respeite meu choro, me deixe sozinha, só volte quando eu chamar e não me obedeça sempre que eu também gosto de ser contrariada. (então fique comigo quando eu chorar, combinado?)
seja mais forte que eu e menos altruísta.
não se vista tão bem, gosto de camisas para fora da calça, gosto de braços, gosto de pernas e muito de pescoço.
reverenciarei tudo em você que estiver a meu gosto:
boca, cabelo, os pêlos do peito e um joelho esfolado.
você tem que se esfolar às vezes, mesmo na sua idade.
leia, escolha seus próprios livros, releia-os.
odeie a vida doméstica e os agitos noturnos.
seja um pouco caseiro e um pouco da vida, não de boato que isso é coisa de gente triste.
não seja escravo da televisão, nem xiíta contra.
nem escravo meu, nem filho meu, nem meu pai.
invente um papel pra você que ainda não tenha sido preenchido.
e o inverta às vezes, me enlouqueça uma vez por mês.
me faça uma louca boa, uma louca que ache graça e tudo que rime com louca: loba, boba, rouca, boca.
goste de música e de sexo.
goste de um esporte não muito banal.
não invente de querer muitos filhos, me carregar para missa, apresentar sua família,... isso a gente vê depois, se calhar.
deixe eu dirigir seu carro, aquele carro que você adora.
quero ver você nervoso, inquieto.
olhe para outras mulheres, tenha amigos e digam muita besteira juntos.
não me conte seus segredos, me faça massagem nas costas.
não fume, beba, chore, eleja algumas contravenções, me rapte e se nada disso funcionar experimente me amar."
[Martha Medeiros]
segunda-feira, 15 de setembro de 2008
parecíamos vencedores, depois descobrimos o significado.
onde? não me diga que este é o problema. pretendia me livrar de todas as palavras-chaves que já conheço, aquelas que sempre me fazem não dizer nada, palavras neutras.
para me ocupar com abstracionismos novamente, para desocupar a mente e poder ocupá-la com coisas fúteis, úteis... sem querer levar uma palavra à outra como faz a poesia.
e o que é que você não consegue? não se fazer mais perguntas?
cansam-me os pronomes e os advérbios, os sinônimos, e neles próprios me descanso.
[Dé.]
onde? não me diga que este é o problema. pretendia me livrar de todas as palavras-chaves que já conheço, aquelas que sempre me fazem não dizer nada, palavras neutras.
para me ocupar com abstracionismos novamente, para desocupar a mente e poder ocupá-la com coisas fúteis, úteis... sem querer levar uma palavra à outra como faz a poesia.
e o que é que você não consegue? não se fazer mais perguntas?
cansam-me os pronomes e os advérbios, os sinônimos, e neles próprios me descanso.
[Dé.]
terça-feira, 9 de setembro de 2008
e de repente o galho que me sustentava, que me passava a maior segurança e me deixava bem próxima do sol se quebrou.
eu caí de uma altura rasoável, a qual ele conseguia me manter.
Por fora alguns pequenos arranhões e na face expressões de descontentamento.
Por dentro o órgão vital que bomba o combustível humano encontra-se completamente em pedaços.
Foi como se todo o tempo na construção de um quebra-cabeças houvesse sido perdido.
As peças do órgão há pouco desmontado, estavam sendo remontadas com perfeição, mas tudo foi perdido novamente.
Um soco, um assopro, um soco!
não acredito mais na semântica nem em diálogos convincentes.
[Dé.]
eu caí de uma altura rasoável, a qual ele conseguia me manter.
Por fora alguns pequenos arranhões e na face expressões de descontentamento.
Por dentro o órgão vital que bomba o combustível humano encontra-se completamente em pedaços.
Foi como se todo o tempo na construção de um quebra-cabeças houvesse sido perdido.
As peças do órgão há pouco desmontado, estavam sendo remontadas com perfeição, mas tudo foi perdido novamente.
Um soco, um assopro, um soco!
não acredito mais na semântica nem em diálogos convincentes.
[Dé.]
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